Toda empresa acha que tem backup — até o dia em que precisa restaurar. Veja como montar uma rotina que funciona de verdade e entenda de uma vez a diferença entre NAS, HD externo e nuvem.
Um computador pode ser substituído em uma tarde. Os dados dele, não.
Notas fiscais, planilhas do financeiro, cadastro de clientes, contratos, projetos, o banco de dados do sistema de gestão: é isso que mantém a empresa funcionando. E é justamente isso que a maioria das pequenas e médias empresas deixa desprotegido.
A conta é simples. Se amanhã de manhã o computador do financeiro não ligar mais, quantos dias de trabalho a sua empresa perde? Se a resposta for "não sei", este artigo é para você.
Backup é uma cópia dos seus dados, guardada separadamente do original, que pode ser restaurada quando o original for perdido, corrompido ou apagado.
A palavra importante é separadamente. E é aí que quase todo mundo erra. Estas três coisas não são backup:
É a forma mais simples de saber se a sua proteção está de pé. Três números, fácil de lembrar:
O terceiro item é o que quase ninguém faz — e é o mais importante. Incêndio, alagamento, furto e ransomware não distinguem o computador do HD externo que está plugado ao lado dele. Se as duas cópias moram no mesmo endereço, um único evento leva as duas.
Não é o computador inteiro. Na maioria das empresas, o que não pode ser perdido cabe em uma lista curta:
Escreva essa lista. Ela é a base de tudo que vem depois — e é comum descobrir, nessa hora, que arquivos críticos estão espalhados na área de trabalho de três pessoas diferentes.
A pergunta não é "de quanto em quanto tempo devo fazer backup?". É "quanto trabalho eu aceito refazer?".
Se a empresa emite notas o dia inteiro, perder um dia já dói. Backup diário, automático. Se são documentos que mudam uma vez por semana, semanal resolve. Cada tipo de arquivo pode ter uma frequência diferente.
É a decisão entre HD externo, NAS e nuvem — comparamos as três logo abaixo. Adiante: normalmente a resposta certa é combinar duas, não escolher uma.
Backup que depende de alguém lembrar de fazer sempre falha. Não é falta de disciplina: é que na correria do dia a dia, a tarefa que ninguém cobra é a primeira a ficar para depois.
Este é o mais ignorado e o mais importante. Um backup que nunca foi restaurado é só uma suposição.
Acontece o tempo todo: a empresa descobre, no pior dia possível, que a rotina parou de rodar há oito meses, que o disco estava cheio, ou que a pasta que importava nunca esteve na lista.
O ransomware é um vírus que criptografa os arquivos e cobra resgate. E ele é esperto: criptografa tudo o que estiver acessível no momento — incluindo o HD externo plugado na USB e as pastas de rede.
Por isso a cópia offline importa tanto. Um HD que fica desconectado dentro da gaveta e só é ligado para o backup semanal é imune a um ataque que aconteça enquanto ele está fora da tomada.
Essa é a dúvida mais comum de quem está começando a organizar o backup. As duas opções funcionam — o que muda é o tamanho da empresa e o quanto você quer depender de alguém.
Um NAS de várias baias e um HD externo portátil: soluções diferentes para necessidades diferentes.
| HD externo | NAS | |
|---|---|---|
| Investimento inicial | Baixo — a partir de um HD de 2 a 4 TB | Maior — o aparelho mais os discos |
| Backup automático | Depende de plugar o cabo | Sim, pela rede, de todos os PCs |
| Atende quantos PCs | Um de cada vez | A empresa inteira ao mesmo tempo |
| Versões antigas do arquivo | Normalmente não | Sim — dá para voltar ao arquivo de semanas atrás |
| Sobrevive à queima de um disco | Não — é disco único | Sim, com dois discos ou mais em RAID |
| Pode ficar offline | Sim — ótima proteção contra ransomware | Fica sempre ligado na rede |
| Risco de perda ou furto | Alto — é pequeno e portátil | Baixo — fica fixo no escritório |
| Ideal para | Até 4 ou 5 computadores | A partir de 5 computadores, ou arquivos grandes |
Empresa pequena, poucos computadores, orçamento curto. Funciona bem — desde que você siga uma regra: compre dois HDs e alterne. Enquanto um recebe o backup da semana, o outro fica fora do escritório. Assim você resolve o "1" da regra 3-2-1 sem pagar nuvem.
O NAS é um aparelho com dois ou mais discos que fica ligado na rede da empresa. Todos os computadores enxergam ele como uma pasta compartilhada, e o backup de cada máquina acontece sozinho, sem ninguém plugar nada.
Ele compensa quando:
Discos de maior capacidade são o coração de um NAS ou de um servidor de arquivos.
A nuvem resolve elegantemente a parte mais difícil da regra 3-2-1: a cópia fora da empresa. Ela sobe sozinha, todo dia, sem ninguém carregar HD para casa.
Mas antes de tudo, precisamos desfazer a confusão mais comum do assunto.
Google Drive, OneDrive, iCloud e Dropbox são excelentes serviços de sincronização. Eles mantêm a nuvem igual ao seu computador — e é exatamente esse o problema.
Se um arquivo é apagado por engano, ele é apagado da nuvem. Se um ransomware criptografa a pasta, os arquivos criptografados sobem e substituem os bons. A cópia acompanha o desastre, porque foi feita para acompanhar tudo.
Esses serviços têm lixeira e histórico de versões — normalmente 30 dias — e isso salva muita gente em caso de um arquivo perdido. Mas é uma rede de proteção, não uma estratégia de backup: o prazo é curto, a restauração em massa é trabalhosa e a empresa não controla a política.
Drive e iCloud sincronizam arquivos. Úteis no dia a dia — mas não foram feitos para restaurar uma empresa.
Não existe resposta única, mas existe um caminho natural conforme a empresa cresce:
Dois HDs externos portáteis alternados, com backup automático agendado. Um fica na empresa, o outro fora. Se o orçamento permitir, some uma conta de backup em nuvem para os arquivos mais críticos — geralmente o financeiro e o fiscal.
É a hora do NAS. Ele centraliza os arquivos, faz o backup de todas as máquinas sozinho e guarda versões antigas. Mantenha também a cópia semanal em HD externo que sai da empresa, ou uma assinatura de nuvem.
Vale desenhar a estrutura com um profissional de infraestrutura: servidor de arquivos ou NAS de maior porte, política de retenção definida, backup em nuvem e um plano escrito de recuperação. Nesse porte, o custo de uma parada longa justifica o investimento.
Se você marcar todos os itens abaixo, sua empresa está protegida de verdade:
Backup é aquele investimento que parece desnecessário — até o dia em que ele é a única coisa que importa. E, comparado ao custo de recriar meses de trabalho, é dos mais baratos que uma empresa faz.
Boa parte de uma estrutura de backup é hardware: discos de qualidade, um computador com espaço para servir de destino, um HD externo confiável para a cópia que sai da empresa.
Na RDO você encontra HDs internos e externos, computadores corporativos seminovos com boa capacidade de armazenamento e a orientação de quem trabalha com informática corporativa há mais de 15 anos. Se você não sabe por onde começar, é só chamar — a gente ajuda a montar a lista sem empurrar o que a sua empresa não precisa.
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Não existe solução única: o certo é combinar uma cópia local, que restaura rápido, com uma cópia fora da empresa, que sobrevive ao pior cenário. Comece pelo básico, automatize e teste uma vez por mês. Precisa de ajuda para escolher os equipamentos? Fale com a gente.